segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Queda das taxas de juro e do euro ou os primeiros sinais de que o pior já está a passar

O euro está a cair rapidamente face ao dólar, o petróleo acompanha como quase sempre esta tendência distanciando-se do máximo registado a 11 de Julho e a Euribor cai, reduzindo a alargada distância que a separa da taxa de referência do BCE desde que se iniciou a crise. Sinais de que já se chegou ao fundo, no universo da crise financeira. Mas que a Zona Euro ainda pode ter de enfrentar tempos difíceis até ao fim ano na frente económica.Embora a actividade económica, especialmente na Zona Euro, se continue a agravar, esta aparente inversão dos preços nos mercados cambial e de taxas de juro pode constituir o primeiro sintoma de que já terá passado a parte mais grave dos problemas financeiros gerados pela implosão do segmento de crédito hipotecário de alto risco nos Estados Unidos.Na perspectiva dos economistas, só é possível ter completa segurança quanto ao fim da crise económica quando o preço das casas nos EUA deixar de cair. Usando o índice Schiller-20, o mercado imobiliário norte-americano desvalorizou 15% desde Julho do ano passado e 18% desde o máximo atingido em Julho de 2006. Mas os valores ainda estão nos níveis de 2004, quando os preços já tinham subido mais de 60% desde 2000.A administração Bush, além do plano lançado em Janeiro consagrando a restituição de IRS, avançou em Julho com um novo pacote - na sequência da crise Fannie Mae e Freddie Mac - em que dá um crédito fiscal de 7.500 dólares a quem compre pela primeira vez casa. Medida que pode moderar a queda do preço das casas.
A importância de Trichet
O dia oito do oito de 2008 a que se assistiu à abertura dos jogos Olímpicos fica para os mercados também marcado como aquele em que o euro registou a maior queda num só dia desde 6 de Setembro de 2000, de acordo com a Bloomberg. De um dia para o outro passou de 1,53 dólares para 1,50 dólares.O petróleo desceu, ainda que pudesse ter motivos para subir devido à tensão bélica na Ossétia do Sul entre a Georgia e a Rússia. A tendência dos preços foi assim determinada pela desvalorização do euro.A queda do euro foi fundamentalmente justificada pelos analistas com as palavras do presidente do BCE, Jean-Claude Trichet , após a decisão de manter a taxa de referência nos 4,25% na quinta-feira passada. Para quem racionaliza os movimentos dos mercados, a mensagem de Trichet revelou maiores preocupações com a economia, considerando que o que havia a fazer contra a inflação estava feito. A inflação continua a ser uma ameaça mas os risco para a economia estão a materializar-se, disse Trichet.Com a economia norte-americana a dar sinais de ter ultrapassado a crise financeira e a reanimar do abrandamento económico, investir em activos em dólares parece começar a ser mais atractivo do que em euros. A zona euro, que revelou nos primeiros do meses forte resistência, abrandou no segundo trimestre deste ano.

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